Abertura: De terça a domingo.

Praça D. João III, 2

5210-190 Miranda do Douro

Museu

Museu

museu terra de miranda fachada

O Museu da Terra de Miranda é um museu etnográfico situado na cidade de Miranda do Douro. O Museu está situado no centro histórico, e encontra-se instalado na antiga “Domus Municipalis” da cidade, edifício setecentista datado do séc. XVII.

O edifício museológico, que se estende ao longo da rua Mouzinho de Albuquerque, deixa transparecer, através da sua estrutura, memórias que nos transportam para a prática e história do seu funcionamento, onde se desempenharam, igualmente, funções de Cadeia Municipal até ao ano de 1790.

O edifício recebe, desde o ano de 1982, as coleções etnográficas e arqueológicas cuja narrativa expositiva pretende representar a vida social, cultural, religiosa e económica das comunidades da Terra de Miranda.

No imóvel de dois andares destaca-se o corpo virado a Sudeste, com varanda a todo o comprimento, suportada pelas grandes arcadas de arcos de volta perfeita do piso térreo.

À medida que o visitante se aproxima, a porta aberta do arco direito parece querer convidar a entrar, e o canhão apontando a nascente, exposto no arco esquerdo, simbolicamente faz lembrar a forte praça militar que foi Miranda do Douro, desde o século XVI até 1762, data em que o exército castelhano destruiu a fortaleza desta cidade.

Na narrativa expositiva do Museu da Terra de Miranda, objetos de caráter arqueológico e histórico, remetem o visitante para o tempo longo da região de Miranda do Douro, para a especificidade da língua mirandesa e para o papel desempenhado por esta na construção e no reconhecimento exterior da identidade cultural da região, bem como para o papel outrora desempenhado pela cidade na manutenção da estabilidade fronteiriça entre Portugal e Espanha.

As coleções do Museu da Terra de Miranda são o resultado de uma recolha sistemática levada a cabo por uma equipa liderada por António Maria Mourinho, seu fundador, e são provenientes dos municípios de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro. Encontram-se divididas em diferentes categorias: Arqueologia, Armas, Artes e Ofícios, Caça, Cerâmica, Equipamento de Uso Doméstico, Instrumentos Musicais, Numismática, Objetos de Uso Ritual, Pastoreio, Cestaria, Traje, Transportes e Vestuário.

Mas é, sobretudo, no âmbito da etnografia que o Museu se propõe materializar uma abordagem à cultura da Terra de Miranda, remetendo o visitante para a ancestralidade e ao mesmo tempo para o quotidiano da vida mirandesa.

Desde o plano do trabalho agrícola, da pastorícia, dos vários ofícios tradicionais e das atividades domésticas, – quer para os tempos de festa e intensa sociabilidade – revelados sobretudo pelos rituais de inverno tão particulares do Nordeste Transmontano.

Caraterísticas

O museu reúne caraterísticas únicas no país e na Península Ibérica, na medida em que espelha os valores da cultura mirandesa, cujas práticas, tradições e valores linguísticos têm sido valorizados e estudados a nível europeu.

Ao Museu da Terra de Miranda compete recolher, estudar, conservar e expor espécies de valor artístico, histórico, etnográfico e arqueológico de toda a região da Terra de Miranda, nos termos do Decreto-Lei nº 136/82 de 23 de Abril, que procedeu à sua criação.

Data de criação: 23 de abril de 1982

Abertura ao público: 18 de maio de 1982 

Concatedral de Miranda do Douro: Arte, pintura e escultura

Natureza Tipologia: Etnográfica, Arqueológica e Linguística

Património à guarda: Instalado na antiga Domus Municipalis, o Museu da Terra de Miranda gere, igualmente, a Concatedral de Miranda do Douro

Capacidade técnica: Inventário, Patrimonialização, Antropologia Visual, Registos Imateriais, Conhecimentos na área da Antropologia, Etnografia, Museologia e Património Imaterial.

museu terra de miranda fachada

Geografia

O Museu da Terra de Miranda, como o próprio nome indica, remete para a tipologia de museu de território, sendo-lhe consequentemente implícito um contexto cultural, geográfico e histórico.

Este sentido de territorialidade é alicerçado sob uma forte carga de símbolos, significados e representações culturais que constituem um determinante suporte para a construção da identidade local, na qual o próprio museu se apresenta como parte integrante deste processo de construção.

A realidade geográfica, morfológica e ambiental da Terra de Miranda condiciona e determina os traços distintivos da cultura dos seus povos, permitindo a sua fixação, subsistência e desenvolvimento ao longo da história.

Como marca definidora deste território destaca-se o canhão formado pelo Rio Douro, que corta abruptamente as grandes massas graníticas da meseta ibérica e separa dois territórios complementares, mas significativamente diversos, hoje delimitados por uma fronteira entre Portugal e Espanha.

O canhão do douro, ou as arribas, como é designado localmente, formam hoje um parque natural. São um local selvagem, inóspito, habitado por fauna e flora específicas, que se afiguram ao ser humano como uma grande barreira natural, de admirável visão pela majestade dos seus penhascos, profundamente contrastante com a largueza da paisagem do planalto que forma a Terra de Miranda e grande parte do território vizinho da província espanhola de Zamora.